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Uso seguro de água não potável em edifícios residenciais

Em um momento que se presencia, cada vez mais, a adoção de sistemas de uso de água não potável em edifícios residenciais, torna-se emergencial a conscientização, tanto sobre os benefícios quanto os riscos envolvidos na gestão deste recurso natural que está diretamente relacionado à saúde das pessoas. As atuais condições de disponibilidade hídrica nos grandes centros urbanos atentam para a necessidade da adoção de um comportamento consciente inerente ao uso da água e aliado à expansão de inovação tecnológica para a redução do consumo. Por exemplo, diminuir o tempo de banho com chuveiro e optar pelo uso de componentes economizadores de água são atitudes fundamentais. Mas, tais posturas poderiam ser complementadas tendo em vista os desafios de atendimento da demanda por acesso à água.

Cada vez mais, este cenário induz à implementação de sistemas que evitem o descarte da água utilizada somente uma vez e que viabilizem a utilização segura das fontes alternativas de água. Trata-sede uma realidade com forte tendência de crescimento durante os próximos anos. A questão é: como proceder ao implantar sistemas de uso de água não potável sem expor comunidades aos riscos de saúde inerentes, tais como possíveis contaminações?

O trabalho de mestrado orientado pela Profa. Dra. Lúcia Helena de Oliveira, do Departamento, defendido pela arquiteta Carolina Castilho, no âmbito do ConstruINOVA, parte desta pergunta e considera, em especial, a importância de se criar normas e diretrizes brasileiras que possam estabelecer regras básicas a serem cumpridas por parte dos profissionais envolvidos em todas as etapas do processo de implantação de um sistema de uso de água não potável em empreendimentos: desde o detalhamento do projeto, passando pela implantação, operação e gestão até a manutenção. O trabalho contribui de modo efetivo ao compartilhar resultados e apontar pontos críticos que envolvem vivência e prática da pesquisadora em seis estudos de casos, focados em empreendimentos residenciais, localizados na cidade de São Paulo.

Considerando o avanço tecnológico já existente no Brasil, que envolve a oferta de soluções e de produtos disponíveis no mercado da construção, a carência de uma regulamentação adequada é preocupante. Fato que pode, inclusive, representar elevado índice de risco aos usuários de empreendimentos que já possuem algum sistema instalado para o uso de água não potável em operação. A ausência de legislações ou diretrizes técnicas impacta diretamente na questão da qualidade da água produzida e, por consequência, na segurança relacionada à saúde.

No trabalho de mestrado em foco, ao propor a criação de uma ferramenta de avaliação de desempenho de sistemas prediais de água não potável no que se refere à concepção, execução, operação e manutenção destes sistemas, além de sua aplicação em estudos de casos, a pesquisa permite identificar com mais precisão gargalos e problemas práticos a serem enfrentados. Tal resultado está sendo levado como contribuição ao trabalho em grupo do qual a arquiteta Carolina Castilho participa, em nome do Departamento, e que está sendo realizado desde o mês de dezembro de 2016, no âmbito da Comissão de Estudos de Conservação da Água em Edificações pela Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT.

“Nossa intenção é não apenas contribuir com subsídios de acordo com o conhecimento adquirido ao longo do desenvolvimento da pesquisa, mas também chamar atenção do setor para a importância de se promover o desenvolvimento sustentável dos sistemas prediais de água não potável”, elucida a Prof. Dra. Lúcia Helena de Oliveira.

Os principais pontos de atenção que estão sendo compartilhados, decorrentes do trabalho intitulado “Avaliação durante operação de sistemas prediais de água não potável”, são: necessidade da criação de procedimentos, guias técnicos e regulamentação que orientem profissionais, gestores e usuários sobre as adequadas formas de implantação, gestão e monitoramento dos sistemas, garantindo a qualidade da água produzida e prevenindo quaisquer riscos aos usuários e ao ambiente em que estão inseridos; necessidade de contratação de uma empresa especializada para assumir responsabilidade sobre os padrões de quantidade e qualidade da água, em especial no que se refere à implantação, gestão e monitoramento desses sistemas prediais; necessidade de adoção de comunicação visual clara e universal para a rápida identificação do sistema de uso de água não potável com tubulações em cores diferentes, por exemplo, entre outras premissas.

Desta forma, além de permitir identificar o cenário atual de alguns sistemas já instalados, a pesquisa aponta que grande parte dos sistemas prediais de água não potável avaliados operam com desempenho inferior ao adequado para atender às necessidades e garantir a segurança de seus usuários. Resultado que indica, ainda mais, a importância da normatização e conscientização em cenário de crescente uso dos sistemas prediais de água não potável no Brasil.