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    Entidades governamentais encarregadas da disseminação do BIM na Argentina, no Brasil, Chile, México e Uruguai, bem como observadores, representantes da Colômbia e Costa Rica, participaram do 2º Encontro BIM de Governos Latino-Americanos | Crédito imagem: divulgação Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP.
Ações governamentais para adoção de BIM em países da América Latina

Ações governamentais para adoção de BIM em países da América Latina

Opinião | Prof. Dr. Eduardo Toledo Santos, Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica – USP – JANEIRO 2019.

Foi realizado em Brasília, no final do mês de novembro de 2018, o 2º Encontro BIM de Governos Latino-Americanos. Neste evento, promovido pelo MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços) e pelo BID, participaram representantes de alto nível das entidades governamentais encarregadas da disseminação do BIM na Argentina, no Brasil, Chile, México e Uruguai. Também participaram, como observadores, representantes da Colômbia e da Costa Rica, apresentando um abrangente panorama das ações governamentais para implantação de BIM nestes sete países latino-americanos, bem como de suas estratégias de difusão. Apesar de ser um evento fechado, limitado aos representantes governamentais convocados, o autor foi convidado a participar do Encontro com a função de mediar os debates e contribuir com as discussões.

Apresenta-se, a seguir, um resumo deste panorama, destacando-se os aspectos mais relevantes das ações em cada um dos sete países.

Argentina: A Argentina começou a dar os primeiros passos na direção de fomentar a adoção de BIM em nível nacional em meados de 2016, quando foi fundado o BIM Forum Argentina, que conta, entre seus diretores, com representante do Ministério do Interior, Obras Públicas e Habitação.
No início de 2017, realizaram a primeira pesquisa de adoção de BIM no país, constando que 87% dos pesquisados já tinham ouvido falar de BIM (metade com apenas uma ideia geral do que seja), e 35% manifestou usar algum aplicativo BIM em seu trabalho (trata-se de mais uma pesquisa online com forte viés, indicando nível de adoção muito dilatado em relação à realidade). Ainda em 2017, foi publicada a versão 1.0 do “Estándares BIM Argentina” com conceitos e requisitos básicos para os modelos de diversas disciplinas nas várias fases. Em julho deste ano foi publicado pelo BIM Forum Argentina um diretório listando 33 profissionais BIM daquele país. Atualmente está em gestão o plano de implementação BIM da Argentina, como objetivos similares ao brasileiro, com ações planejadas até 2025.

Brasil: O tema BIM é tratado no Brasil há quase 15 anos, inicialmente na academia, depois com os fornecedores de aplicativos e, finalmente, na indústria e, mais recentemente, no governo. O país tem bases sólidas para avançar rapidamente na implantação do BIM, já que possui boa estrutura acadêmica, interessada no tema BIM; grupos de trabalho ativos no desenvolvimento e adaptação de normas BIM na ABNT; boa oferta de aplicativos BIM, nacionais e internacionais; um interessante conjunto de guias e demais publicações sobre BIM em português; uma estratégia pública de disseminação de BIM no país - incluindo um roadmap de implementação - e lideranças, nos setores público e privado, dispostas a levar a frente esse desafio. A publicação da Estratégia BIM-BR somente no último ano do mandato da gestão presidencial recém encerrada, sem tempo para a devida consolidação do Comitê Gestor do BIM, encarregado de implantá-la, trouxe incertezas para esse processo. Concebida no âmbito da Secretaria de Desenvolvimento e Competitividade Industrial do MDIC, ministério agora fundido com os da Fazenda e do Planejamento no novo Ministério da Economia, a recém-nascida Estratégia BIM-BR parecia sob risco de perder-se no turbilhão do enxugamento da máquina pública. No entanto, a indicação do seu ex-Secretário, Igor Calvet, como Secretário Adjunto de Produtividade, Emprego e Competitividade no novo ministério deu-se justamente, entre outras razões, pelo destaque positivo na coordenação da Estratégia BIM-BR, o que deve garantir a continuidade desta importante agenda.

Chile: Juntamente com o Brasil, o Chile é o país mais avançado na implementação de BIM em nosso continente. Desde antes do Memorando de Entendimentos (MoU) assinado com o Reino Unido em 2016, o Chile vem desenvolvendo ações dentro do chamado PlanBIM, seu plano estratégico de implantação de BIM em nível nacional. Seu roadmap é o mais audacioso entre os países da América Latina, estabelecendo a exigência de BIM em projetos públicos já em 2020. Em novembro de 2017, organizou o 3º Congreso Latinoamericano BIM Latam e, em maio do ano passado, realizou o 1º Encontro BIM de Governos Latino-Americanos. As iniciativas governamentais vêm progressivamente incorporando diferentes tipos de edificações (edifícios institucionais, escolas, hospitais, aeroportos) e, em 2018, avançou para infraestrutura (pontes, etc.). No setor acadêmico, levantamento mostra que 81% das universidades do país já ensinam BIM.

Costa Rica: A Costa Rica passa por situação política que lembra a do Brasil: eleições muito disputadas, com grande polarização e promessas de grandes mudanças, além da situação fiscal apertada. Ainda igualmente ao nosso país, vislumbra possibilidades de grandes avanços em 2019.
Em relação ao BIM, uma pesquisa identificou conhecimento do conceito por 70% do seu setor privado, ainda que somente 10% o utilize. A criação do BIM Fórum Costarriquense, curiosamente com a participação da Primeira Dama do país, promete avançar a adoção de BIM, congregando os setores público, privado e a academia. Efetivamente, alguns poucos órgãos públicos desenvolveram obras utilizando BIM e de forma incipiente. Algumas construtoras de imóveis residenciais foram pioneiras em seu uso. Nas universidades, o tema ainda é pouco conhecido, sendo mais disponível aos estudantes através de cursos externos pagos.

Colômbia: Na Colômbia, o uso de BIM se iniciou por volta de 2014 com alguns projetos esporádicos, incluindo a sede da Polícia Nacional. Em 2016 foi criada a ASOBIM – Asociación Colombiana BIM e, em 2017, foi fundado o BIM Forum Colômbia, ambos com o objetivo de fazer avançar a adoção de BIM no país. Em 2018, a exemplo de Chile e Brasil, a FDN – Financiera de Desarrollo Nacional firmou um MoU com o Reino Unido, iniciando o desenvolvimento de um plano estratégico de disseminação de BIM em nível governamental.

México: No México, assim como em outros países, o BIM é visto pelo governo como uma arma contra a corrupção e uma maneira de reduzir prazos e custos em obras públicas. Tem sido usado de forma limitada em obras públicas e privadas e ainda não há obrigatoriedade pelo governo. Recentemente, em maio do ano passado, a Secretaria da Fazenda e Credito Público (SHCP) publicou sua estratégia para adoção de BIM em projetos de infraestrutura visando: i. fomentar o uso de BIM nos projetos de infraestrutura; ii. melhorar os processos dos projetos de infraestrutura pública; iii. impulsionar a participação do setor privado para completar a cadeira de valor (capital humano, gestão integrada de projetos e normas técnicas/bibliotecas BIM) e; iv. utilizar o BIM para melhora contínua da infraestrutura. Há a ideia de tornar o BIM obrigatório em projetos públicos de mais de um bilhão de pesos (aprox. US$50 milhões).

Uruguai: No Uruguai, duas entidades lideram a implantação de BIM: a CND – Corporación Nacional para el Desarrollo e o BIM Forum Uruguay. Os esforços para implantação de BIM no país começaram só recentemente. No final do ano passado iniciou-se uma pesquisa sobre estágio de uso de BIM e até meados de 2019, pretendem finalizar desenvolvimento de uma estratégia nacional (2019-2024), com o objetivo de aumentar a digitalização, produtividade e transparência da indústria da construção e melhorar a gestão das obras públicas, além de promover exportação de serviços associados ao BIM. Alguns poucos projetos piloto BIM foram desenvolvidos no Uruguai, onde o setor da Construção responde por 10% do PIB.

Uma pesquisa mais aprofundada sobre o estado de adoção do BIM em países da América Latina, desenvolvida pela empresa Change Agents do Dr. Bilal Succar, com apoio da Northumbria University (UK), da Universidade de São Paulo (USP) e da CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção, foi finalizada recentemente, focando as oito dimensões do Modelo de Macro Maturidade BIM da BIM eInitiative: Objetivos e Metas, Lideranças, Regulamentação, Publicações, Capacitação, Métricas, Padrões e Infraestrutura.  A pesquisa foi financiada pelo BID – Banco Inter-Americano de Desenvolvimento e abrangeu cinco países: Argentina, Brasil, Chile, México e Uruguai. Os resultados ainda não foram divulgados.

Adicionalmente, está em gestão a formação de uma Rede BIM de Governos Latino-americanos, que deve favorecer a cooperação entre os governos de nossa região. Hoje, com a realização de Encontros governamentais como aquele relatado aqui e a divulgação pública de estratégias nacionais, já se percebe uma influência das ações desenvolvidas pelos países mais adiantados como Brasil e Chile sobre outros que estão iniciando seus desenvolvimentos nessa área.

Há oportunidades importantes com a oferta de serviços de projeto e construção em toda a região para os países que conseguirem se destacar na adoção e uso do BIM, nos setores público e privado.

A maioria dos países da América Latina e Caribe estão desenvolvendo gestões para acelerar a adoção do BIM em seus mercados e cabe ao Brasil atenção para não ser ultrapassado nessa importantíssima área estratégica para o avanço e modernização da Construção.

Saiba mais sobre:

  • O BIM Forum Argentina:
  • http://www.bimforum.org.ar/
  • O Diretório que lista 33 profissionais BIM da Argentina, divulgado no BIM Forum Argentina:
  • http://www.bimforum.org.ar/signup/documento/directorio-bim-argentina
  • O plano de implementação BIM na Argentina:
  • http://www.bimforum.org.ar/novedades/ampliar/presentacin-estrategia-bim-argentina-
  • O 3º Congreso Latinoamericano BIM Latam:
  • https://www.cdt.cl/2017/11/3er-congreso-latinoamericano-bim-latam-bim-e-industrializacion/

  • A estratégia para adoção de BIM em projetos de infraestrutura da Secretaria da Fazenda e Credito Público (SHCP) do México:
  • https://www.gob.mx/shcp/acciones-y-programas/estrategia-para-la-implementacion-del-modelado-de-informacion-de-la-construccion-mic?state=published