Eventos e Notícias

Confira a agenda de eventos e faça a sua programação.

Voltar para próximos eventos e notícias
    Integrantes da equipe da Unidade EMBRAPII de Materiais para Construção Ecoeficiente em visita técnica | Crédito fotografia: Marco Antonio Gonçalves Jr.
O Projeto do Grupo Lafaete | Unidade EMBRAPII de Materiais para Construção Ecoeficiente

Desenvolver um processo construtivo modular com alto grau de industrialização e de baixo impacto ambiental, com o uso de componentes disponíveis no mercado brasileiro que ainda não foram utilizados em larga escala, e competitivo no segmento da habitação de interesse social, foi o desafio inicialmente apresentado pelo Grupo Lafaete ao procurar a Unidade EMBRAPII de Materiais para Construção Ecoeficiente da Escola Politécnica da USP. Hoje, o desafio inicial já se transformou em um Projeto EMBRAPII que vem sendo realizado sob a coordenação do professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola, Vanderley John, e que extrapola a demanda inicialmente apresentada ao revelar amplo potencial de aplicação em diversos segmentos do mercado residencial brasileiro.

O objetivo atual é desenvolver um processo construtivo inovador que poderá viabilizar o uso da tecnologia do Light Steel Framing, e que será caracterizado por módulos 2D e 3D montados em planta industrial moderna capazes de dar origem aos módulos de tipologias diversificadas de unidades residenciais, ao mesmo tempo em que garante montagem rápida, altíssima produtividade, elevada durabilidade, e baixo impacto ambiental, um conjunto de diferenciais que resulta em excelência na relação “custo x benefício”. Para realizar o Projeto EMBRAPII foi montada uma equipe multidisciplinar composta por docentes e pesquisadores da USP, pelos profissionais do Grupo Lafaete, estes muito experientes em construção seca modular, e por especialistas de mercado que possuem amplo e reconhecido histórico de atuação nacional e internacional voltados à inovação na Construção Civil, entre os quais figura o engenheiro Luiz Henrique Ceotto, profissional que é referência internacional em inovação na área de edificação, bem como professor convidado que ministra aulas em cursos de Pós-Graduação do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP e que atualmente está concluindo Pós-Graduação em Liderança e Inovação no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

As pesquisas que estão sendo realizadas pela equipe de trabalho aplicam rigor do conhecimento técnico acadêmico para solucionar problemas de natureza prática, uma postura que permite encurtar o prazo para obter soluções efetivas frente aos desafios vivenciados na indústria brasileira. “Este casamento facilita reduzir os riscos e transpor as barreiras à inovação, neste caso agravadas pela pouca experiência da construção e do país em inovação”, esclarece o professor Vanderley John. Segundo ele, a aliança entre a universidade e a indústria, promovida pela Unidade EMBRAPII de Materiais para Construção Ecoeficiente da Escola Politécnica da USP deverá facilitar a aceitação de produtos inovadores em um mercado predominantemente conservador.

“A dinâmica estabelecida no Projeto é muito motivadora para a nossa equipe. Trabalhar com professores, pesquisadores e doutores tais como o Vanderley, a Mercia, o Ceotto, e a Luana, permite agregar conhecimento fundamental e muito mais amplo se comparado ao que a vivência interna na empresa permitiria caso a nossa opção fosse por realizar a etapa de Pesquisa & Desenvolvimento – P&D com estrutura própria”, afirma Alberto Silva, presidente do Grupo Lafaete ao se referir ao processo de trabalho e aos integrantes da equipe que participam do Projeto ao lado do professor Vanderley John na Unidade EMBRAPII, são eles: a professora do Departamento Mercia Bottura de Barros, o engenheiro Luiz Henrique Ceotto, e a coordenadora de Desenvolvimento Tecnológico do Projeto, Luana Sato.

A viabilidade econômica e o potencial inovador do Projeto

“Ao proporcionar um gerenciamento eficaz no que se refere à união de recursos físicos (laboratoriais) e humanos em prol de pesquisas para a inovação na indústria, o projeto EMBRAPII permite que as empresas brasileiras façam investimentos na medida certa”, explica Alberto Silva. “Além do custo para o investimento se tornar mais atrativo e viável, trata-se de uma fórmula perfeita por permitir gerar conhecimento em um ambiente enriquecedor de aproximação dos profissionais de mercado com os especialistas que atuam na Universidade”, completa Alberto Silva.

A partir de um olhar sistêmico e multidisciplinar, atualmente o grupo de trabalho do Projeto está focado nas pesquisas sobre as características de desempenho do processo construtivo e em estudos para maximizar o seu potencial inovador. O objetivo é conceber um novo produto que oferte ao mercado diferenciais cruciais, tais como: Ganhos de produtividade com o uso de módulos industrializados 2D e 3D de grandes dimensões, reduzindo drasticamente as atividades do canteiro de obras, que passa a ser um local no qual grandes componentes industriais são conectados em uma obra rápida, “seca e limpa”; e Ferramentas avançadas de projeto que poderão ser utilizadas para garantir substancial melhora no conforto para os usuários, e na durabilidade do sistema construtivo e de suas partes. “Sobre este último aspecto diferencial, o nosso grupo está empregando uma metodologia de planejamento de vida útil que consiste em identificar preventivamente possíveis problemas, tomando medidas de projeto para minimizar os riscos de degradação e simplificar e planejar as atividades de manutenção”, explica o engenheiro Max Junginger, doutorando que trabalha no Projeto. No âmbito do grupo de trabalho, a mesma filosofia se aplica às demais dimensões dos desafios identificados, incluindo os que estão relacionados ao funcionamento estrutural e aos esforços necessários no processo de transporte e montagem.

“Na nossa metodologia de trabalho, as soluções inovadoras que estão sendo desenvolvidas são sempre analisadas previamente, bem como sistematicamente testadas, tomando-se medidas para corrigir falhas potenciais e tornar o processo construtivo modular o mais robusto”, completa o professor John. “Trata-se de um sistema de construção leve que reduz o impacto ambiental de forma geral, e particularmente no que toca às questões do consumo de recursos naturais da geração de resíduos”, ele diz.

“Estamos desenvolvendo um sistema construtivo de residências que prima por altíssima produtividade nas fases de fabricação e montagem, além de atender ao conjunto de diretrizes da Norma de Desempenho, a ABNT NBR 15.575”, explica o engenheiro Ceotto. “Com ciclo de vida extenso, a parte estrutural, por exemplo, deverá oferecer durabilidade mínima de 50 anos, com excelência de manutenção e desempenho”, esclarece Ceotto.

O desafio da água

“Conferimos atenção especial aos aspectos que envolvem os cuidados necessários para eliminar qualquer risco que a água pode oferecer frente ao desempenho que almejamos”, prossegue Ceotto ao abordar a questão da água na Construção Civil. Ele esclarece que se trata de um tema desafiador, já que interfere tanto no canteiro de obras, no caso o local de montagem das peças e dos painéis pré-prontos, bem como na edificação já construída. “Estamos estudando todos os efeitos da água, nos estados líquido e de vapor, e suas diversas intercorrências, por exemplo, durante o processo de execução do sistema é necessário desenvolver soluções resistentes às intempéries climáticas tais como chuvas e ventos intercalados por períodos de exposição excessiva ao sol. Já na fase de vida útil, é fundamental eliminar riscos relacionados às infiltrações, à umidade que ascende do solo, e também à umidade que curiosamente é proveniente até da respiração das pessoas nos ambientes internos e que pode condensar dentro dos componentes em dias muito frios”, diz.

Prototipagem

“Com algumas diretrizes prévias já desenhadas, tais como a seleção dos materiais que iremos usar e os métodos de fabricação mais adequados ao novo processo construtivo que estamos desenvolvendo, a previsão é construir um protótipo em escala real durante o primeiro semestre de 2019”, afirma o professor John. A partir do uso de módulos pré-estabelecidos e produzidos em fábrica, a prototipagem permitirá a experimentação prática das soluções que estamos propondo”, explica a professora Mercia Bottura de Barros. “O principal desafio é justamente produzir as peças em fábrica de modo preciso, fazer com que elas cheguem de maneira íntegra no canteiro de obras para serem acopladas de modo adequado em um processo de montagem limpa e que, no final, a edificação atenda aos requisitos de desempenho exigidos e seja competitiva no mercado de acordo com público-alvo almejado”, conclui a professora Mercia.

“O objetivo é conceber um sistema ‘naturalmente preciso’ e que não exija esforços humanos excessivos especificamente no que se refere ao uso da força física”, complementa o engenheiro Ceotto. “Nosso Projeto busca valorizar a capacitação do trabalhador na Construção Civil para atuar de um modo estratégico dentro da fábrica, que são ambientes mais salubres, confortáveis e seguros quando comparados aos canteiros de obras das construções convencionais que ainda são feitas no Brasil”, afirma Ceotto.

Próximos passos

O estudo sistemático do desempenho e de impacto ambiental deverá resultar em uma inovação tecnológica proprietária que será explorada pelo Grupo Lafaete. Mesmo assim, no contexto do Projeto que vem sendo desenvolvido na Unidade EMBRAPII de Materiais para Construção Ecoeficiente, o Grupo Lafaete já vem compartilhando e trocando conhecimentos gerados com outras empresas de mercado. Além da preocupação com a excelência, o desempenho e a segurança para a inovação tecnológica do produto em si, a equipe do Projeto do Grupo Lafaete na Unidade EMBRAPII de Materiais para Construção Ecoeficiente já está atenta à necessidade de atuar junto ao setor da Construção Civil para criar as diretrizes de boas práticas e as normatizações específicas relacionadas ao uso de um processo construtivo novo, inovador e não convencional. “Trata-se de um cuidado fundamental e ainda mais impactante ao sucesso do novo produto se for considerado o aspecto comportamental e cultural predominantes no país, pois sabemos que grande parte do público consumidor brasileiro considera que somente soluções em alvenaria são as mais seguras, especialmente quando falamos em empreendimentos residenciais”, esclarece Luana Sato.

Dado o cenário desafiador, a equipe já iniciou uma vertente de trabalho junto à Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT e atualmente gera conhecimento direcionado para a elaboração futura de normas técnicas necessárias e parâmetros de desempenho específicos para construções leves, tal como é o caso do Light Steel Framing. “No momento, por não existir ainda normatização específica, a avaliação do processo construtivo que está sendo elaborado teria que ser feita pelas diretrizes do Sistema Nacional de Avaliações Técnicas – SiNAT do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat – PBQB-H”, conclui Sato. Considerado o cenário, entre os próximos passos e desdobramentos vinculados ao Projeto EMBRAPII figura a atuação da equipe no sentido de gerar repertório técnico e atuar junto à ABNT para a elaboração de um arcabouço técnico e normativo que permitirá avanços com potencial benéfico aos diversos players do setor da Construção Civil.

Unidade EMBRAPII de Materiais para Construção Ecoeficiente | Projeto Grupo Lafaete | INTEGRANTES DA EQUIPE

ENTREVISTADOS NA REPORTAGEM:

Professor Vanderley Moacyr John – Coordenador EMBRAPII, Materiais e planejamento da vida útil;
Professora Mercia Maria Semensato Bottura de Barros – Pesquisadora EMBRAPII, Tecnologia e Gestão da Produção;
Luiz Henrique Ceotto – Pesquisador EMBRAPII, Tecnologia, Mercado e Obra;
Luana Sato – Coordenadora de Desenvolvimento Tecnológico;
Max Junginger – Pesquisador, doutorando focado nos aspectos de durabilidade.

EQUIPE TÉCNICA:

Marco Antonio Gonçalves Júnior – Mestrando focado no desenvolvimento conceitual dos módulos tridimensionais;
Dr. Marco Quattrone – Pesquisador com experiência de projeto e obra em construção industrializada na Europa;
Thais Luppi Cardoso – Arquiteta pelo desenvolvimento conceitual arquitetônico;
Gabriela Braga Garcia Rosa, João Roberto Monteiro da Silva e Luiz Gustavo Bertocchi Alves da Silva – Alunos de iniciação científica auxiliares;
Dra. Renata Monte – Especialista laboratorial auxiliar para o conhecimento sobre o uso de concreto com fibras;
Adilson Inácio dos Santos – Técnico laboratorial auxiliar no laboratório.
Gisele Sanches da Silva – Integrante da equipe de gestão da unidade EMBRAPII.
Engrácia Maria Bartuciotti – Integrante da equipe financeira da unidade EMBRAPII.
Professor Alberto Hernandez Neto – Especialista em simulação de desempenho térmico;
Professor Eduardo M. B. Campello – Especialista em análise de comportamento estrutural.